Ir para o conteúdo principal
Carimbó: origem, história, instrumentos e como é a dança do Pará

Música Brasileira

Carimbó: origem, história, instrumentos e como é a dança do Pará

O carimbó é um ritmo e uma dança de roda tradicional do Pará, na região Norte do Brasil. Surgido entre os séculos XVII e XVIII, nasceu da fusão de influências indígenas, africanas e europeias. Marcado pelo som dos tambores curimbós e por saias rodadas coloridas, foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil em 2014.

Por Fernando Puentes · Atualizado em

Foto: Moisés Everton · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

Carimbó: descubra a origem, a história, os instrumentos e como é dançado o ritmo mais emblemático do Pará, Patrimônio Cultural do Brasil. Guia completo.

Dançarinos de carimbó em apresentação em Altamira, Pará
Foto: Francisco Braz Jr / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

O carimbó é um ritmo e uma dança de roda tradicional do Pará, na região Norte do Brasil. Surgido entre os séculos XVII e XVIII, nasceu da fusão de influências indígenas, africanas e europeias. Marcado pelo som dos tambores curimbós e por saias rodadas coloridas, foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil em 2014.

Contagiante e cheio de giros, o carimbó é uma das expressões mais vibrantes da Amazônia. Este guia reúne sua origem, a história do nome, os instrumentos, os tipos e o que faz dessa dança a alma da cultura paraense.

O que é o carimbó?

O carimbó é uma manifestação cultural que une música e dança, típica do nordeste do estado do Pará. É uma dança de roda, executada em pares, marcada por movimentos circulares e muito requebrado.

O ritmo é acelerado, guiado pelo som dos tambores e pelas palmas. As letras são poéticas e contam histórias do cotidiano de agricultores e pescadores.

O carimbó tem outros apelidos regionais, como “pau e corda” e “samba de roda do Marajó”. Em algumas comunidades, ainda é chamado de corimbó.

Origem e história do carimbó

Publicidade

O carimbó surgiu entre os séculos XVII e XVIII, durante o período colonial. Ele nasceu do encontro de três matrizes culturais:

  • Indígena: a base rítmica e os tambores cerimoniais.
  • Africana: o requebrado, o rebolado e os andamentos sincopados, trazidos pelos africanos escravizados.
  • Europeia: instrumentos como flauta, clarinete e banjo, além da dança em pares.

A dança nasceu de um hábito simples. Ao fim do trabalho diário, agricultores e pescadores se reuniam para dançar ao som do tambor. Por isso, as letras retratam a vida cotidiana dessas comunidades.

A partir da década de 1960, o carimbó ganhou as rádios e os bailes de Belém. Surgiram os primeiros grupos de carimbozeiros, e o ritmo se firmou como símbolo da identidade paraense.

De onde vem o nome “carimbó”

O nome tem origem tupi, na palavra curimbó, que designa o principal tambor da dança.

O termo une duas ideias: curi, que remete a “pau oco”, e m’bó, que significa “furado”. Ou seja, o tronco escavado que produz o som. Com o tempo, “curimbó” virou “corimbó” e, depois, “carimbó”, como ficou conhecido nacionalmente.

Os instrumentos do carimbó

O coração sonoro do carimbó são dois tambores curimbós. Um é mais longo e fino, de som agudo. O outro é mais largo, de som grave. Juntos, criam a batida que ninguém resiste.

Ao redor deles, outros instrumentos completam o conjunto:

  • Percussão: maracá, ganzá, afoxé, pandeiro e reco-reco.
  • Cordas: banjo, herança que dá o batuque rápido característico.
  • Sopros: flauta, clarinete e saxofone, em versões mais elaboradas.

Não à toa, o carimbó já foi apelidado de “limpa-bancos”: quando a batida começa, ninguém consegue ficar sentado.

Como é a dança do carimbó

A dança é executada em roda e em pares, com uma coreografia sensual e espontânea. As principais características:

  • Saias rodadas e coloridas: as dançarinas usam saias volumosas, que ganham vida nos giros.
  • Pés descalços: tradição das apresentações mais antigas.
  • Giros e requebrado: o movimento dos quadris é a marca registrada.
  • Sapateado: presente em algumas variações.

Um gesto é icônico. O dançarino deixa cair um lenço no chão e o apanha com a boca, sem usar as mãos, enquanto a parceira o provoca com a saia.

Os tipos de carimbó

Os estilos surgiram conforme a ocupação e a região de quem dançava:

TipoOndeCaracterística
Carimbó pastorilSoure, Ilha do MarajóLigado à vida no campo
Carimbó ruralSantarémRaiz tradicional, “pau e corda”
Carimbó de blocoÁreas urbanasVersão moderna, com mais instrumentos

De forma geral, distingue-se o carimbó tradicional (pau e corda) do carimbó moderno, que incorporou sopros e sonoridades urbanas.

Marapanim e Pinduca: capital e rei

Dois nomes são incontornáveis na história do ritmo.

Marapanim, no nordeste paraense, é considerada a capital do carimbó. É lá que se concentram os grupos mais dedicados a preservar a tradição, e onde acontece um dos maiores festivais do gênero.

Pinduca é o “Rei do Carimbó”. O cantor e compositor foi decisivo para levar o ritmo às rádios e ao resto do Brasil, ampliando seu alcance para muito além da Amazônia.

Carimbó, Patrimônio Cultural do Brasil

O reconhecimento oficial veio em etapas. Em 2009, a Assembleia Legislativa do Pará declarou o carimbó Patrimônio Cultural e Artístico do estado.

O marco nacional chegou em 2014, quando o IPHAN registrou o carimbó como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, após anos de inventário. O título consagrou a dança como parte essencial da identidade brasileira.

Perguntas frequentes

De onde é o carimbó? Do estado do Pará, na região Norte, com destaque para o município de Marapanim.

Qual a origem do nome carimbó? Do tupi curimbó, o tambor feito de tronco oco e furado.

Quais os instrumentos do carimbó? Os tambores curimbós, mais banjo, flauta, maracá, ganzá e outros.

O carimbó é Patrimônio Cultural? Sim, registrado pelo IPHAN como Patrimônio Imaterial do Brasil em 2014.

Quem é o Rei do Carimbó? O cantor e compositor Pinduca, que popularizou o ritmo nacionalmente.

Conclusão: o batuque que move a Amazônia

O carimbó é muito mais que uma dança. É memória viva de indígenas, africanos e europeus que se encontraram às margens dos rios do Pará.

No som dos curimbós e no rodopio das saias coloridas, pulsa a alegria de um povo. Conhecer o carimbó é entender um pedaço essencial da alma amazônica.

Quer continuar explorando os ritmos que embalam o Brasil? Assine a newsletter do Made in Brasilis e receba nossos próximos guias de música e cultura brasileira.


Fontes

  • IPHAN — registro do carimbó como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.
  • Assembleia Legislativa do Pará (ALEPA) — reconhecimento estadual de 2009.
  • Acervos e pesquisas acadêmicas sobre a cultura popular paraense.

Leia também:

Publicidade

Publicado em

← Voltar para o blog