Música Brasileira
Cacuriá: a dança do Maranhão, origem, Dona Teté e como é dançada
O cacuriá é uma dança típica do Maranhão, nascida das festividades do Divino Espírito Santo. Tem raiz no carimbó de caixa das caixeiras, tocado após a derrubada do mastro. Dançado em pares, com muito rebolado e letras de duplo sentido, foi sistematizado nos anos 1970 por Seu Lauro e popularizado por Dona Teté.
Por Fernando Puentes · Atualizado em
Foto: Luana Depp · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Cacuriá: conheça a dança maranhense nascida da Festa do Divino, sua origem no carimbó das caixeiras, o papel de Dona Teté e como é dançada. Guia completo.

O cacuriá é uma dança típica do Maranhão, nascida das festividades do Divino Espírito Santo. Tem raiz no carimbó de caixa das caixeiras, tocado após a derrubada do mastro. Dançado em pares, com muito rebolado e letras de duplo sentido, foi sistematizado nos anos 1970 por Seu Lauro e popularizado por Dona Teté.
Hipnotizante e cheio de humor, o cacuriá une o sagrado e o profano como poucas danças brasileiras. Este guia conta sua origem, o papel de Dona Teté, como é dançado e por que ele encanta do São João às redes sociais.
O que é o cacuriá?
O cacuriá é uma manifestação da cultura popular maranhense. É uma dança de pares, executada em roda ou cordão, marcada pela sensualidade e pelo bom humor.
As canções têm duplo sentido e provocam risos de crianças a idosos. A coreografia combina passos marcados, muito requebrado de quadril, improviso e interação com o público.
Musicalmente, o cacuriá é descrito como uma mistura de marcha, valsa e samba. Ele também absorve elementos do carimbó, do bumba meu boi e das festas juninas.
A origem: da Festa do Divino ao palco
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A história do cacuriá começa na Festa do Divino Espírito Santo, celebração de origem portuguesa que ocorre no período de Pentecostes. No Maranhão, essa festa mistura o catolicismo com heranças africanas e indígenas.
O ponto-chave é a derrubada do mastro, uma vara enfeitada com a bandeira do Divino. Após esse rito religioso, as caixeiras (mulheres que tocam as caixas) se reuniam para relaxar e celebrar.
Nasce aí o carimbó de caixa, também chamado de bambaê de caixa. É o momento em que o sagrado dá lugar ao profano: as percussionistas tocam e dançam de forma descontraída e sensual. Esse germe informal daria origem ao cacuriá.
Quem criou o cacuriá?
Aqui a história ganha nuance, e vale contar direito.
Nos anos 1970, autoridades culturais do Maranhão quiseram revitalizar as festas juninas. Convidaram o folclorista Alauriano Campos de Almeida, o “Seu Lauro”, para sistematizar uma nova dança a partir do carimbó das caixeiras.
As fontes divergem quanto à data exata, entre 1973 e 1975, e citam também Dona Filoca como parceira na criação. O importante é o consenso: o cacuriá foi reconhecido como manifestação folclórica pelo Departamento de Turismo do Maranhão em 1975.
Dona Teté, a rainha do cacuriá
Se Seu Lauro criou, foi Dona Teté quem eternizou.
Almerice da Silva, a Dona Teté, era dançarina do grupo de Seu Lauro. Em 1986, pelo Laboratório de Expressões Artísticas (Laborarte), ela criou sua própria versão e fundou o célebre Cacuriá de Dona Teté.
Com seu carisma, tornou-se a grande popularizadora da dança. Dona Teté faleceu em 2011, mas seu legado segue vivo como símbolo da cultura maranhense.
Como é a dança do cacuriá
A coreografia é envolvente e participativa. Os traços marcantes:
- Dança em duplas: os pares se organizam em roda ou cordão.
- Rebolado do quadril: o movimento é a assinatura do cacuriá.
- Contato e provocação: olhares, risos e a interação entre os pares.
- Improviso: os dançarinos brincam com o público e entre si.
Tudo isso embalado por letras espirituosas, cheias de duplo sentido, que fazem parte da graça da dança.
As caixeiras e a música
O coração sonoro do cacuriá são as caixas, tambores conduzidos pelas caixeiras. São elas que ditam o ritmo e cantam as toadas.
As letras falam da natureza, de crenças, de brincadeiras antigas e dos anseios do povo. O canto segue um formato de chamada e resposta: alguém puxa a toada e o coro de brincantes responde no compasso.
De onde vem o nome “cacuriá”
Não há uma explicação oficial para o termo. A hipótese mais citada liga o nome à expressão “cacos de cuia”, numa referência a objetos usados na cultura popular da região.
Antes de firmar o nome atual, a dança já foi chamada de “baile de caixas”, destacando justamente a percussão que a define.
Cacuriá, Patrimônio Cultural do Maranhão
O reconhecimento oficial veio em 2018, quando o cacuriá foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial do Maranhão.
O título consagrou uma dança que, nascida da fé e do improviso das caixeiras, virou um dos maiores símbolos das festas juninas de São Luís. Hoje, vídeos do cacuriá acumulam milhões de visualizações nas redes.
Perguntas frequentes
O que é o cacuriá? Uma dança maranhense de pares, ligada à Festa do Divino, com rebolado e humor.
Quem criou o cacuriá? Seu Lauro o sistematizou nos anos 70. Dona Teté o popularizou a partir de 1986.
Qual a origem do cacuriá? O carimbó de caixa das caixeiras, tocado após a derrubada do mastro do Divino.
O cacuriá é Patrimônio Cultural? Sim, Patrimônio Cultural Imaterial do Maranhão desde 2018.
Quais instrumentos acompanham? As caixas, tocadas pelas caixeiras, que também cantam as toadas.
Conclusão: onde a fé vira festa
O cacuriá é a prova de que, no Maranhão, o sagrado e o profano dançam juntos. Da derrubada do mastro ao rebolado das caixeiras, ele carrega séculos de fé, resistência e alegria.
Ver um cacuriá é entender a criatividade de um povo que transforma devoção em festa. Uma tradição jovem em anos, mas antiga em raiz.
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Fontes
- Wikipédia e Enciclopédia Itaú Cultural — verbetes sobre o cacuriá.
- Governo do Maranhão — registros sobre a Festa do Divino e o cacuriá.
- Inara Rodrigues, “Vem cá curiar o cacuriá!” — pesquisa sobre a dança.
- Luciana Hartmann — estudo acadêmico “Cacuriá: dinâmicas de uma tradição dançada”.
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